sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sol e água fresca


Por Fabio Reis Neto.

Acampamento, uma Jornada diferente!

A Jornada de Dezembro de 2015 começou bem antes do dia 12.

Quando fomos informados sobre o destino e a temática, dúvidas pairavam na cabeça dos Jornadeiros. Qual equipamento levar? Como será a logística?

A semana anterior foi recheada de check list de equipamentos e disposição das caronas solidárias. O pontal da Ilha do Massangano não é longe de Petrolina e fomos em ritmo leve, sem pressa para o nosso destino.

Partimos no horário combinado em comboio, direto para o ponto de travessia. Neste momento o sol já ardia o couro dos primeiros participantes, mas era reconfortante saber que não precisaríamos fazer longas caminhadas e que as águas do Velho Chico seriam nossa companhia constante. Singramos pelo braço do Rio à bordo de uma típica embarcação da região, a travessia foi calma e nos alegrou perceber que as águas estavam límpidas e tranqüilas. Escolhemos o ponto ideal para levantar acampamento, próximo da água, longe de barulho e estratégico em relação ao nascer do Sol. Terminado o compromisso com nossas guaridas, restava aguardar a chegada do segundo grupo e do pôr do Sol se refrescando na praia da Ilha, a esta altura já tínhamos o apoio de um Jet Sky que foi utilizado para pegar drinks refrescantes.  Fizemos os primeiros trabalhos com o pôr do Sol, reflexos e silhuetas.

Chega a noite e com ela e expectativa de um delicioso churrasco, mas antes, a Natureza resolve se revelar após o show do céu à tarde. Ventos fortes, chuva, dois ou três raios e um trovão, de longe, fez que com os bravos Jornadeiros questionassem o sucesso dessa nossa empreitada. O momento foi encarado com muita alegrai, surgindo piadas sobre a situação, fotos de bastidores e teorias dos “entendidos em clima”. Passada a tempestade, o jantar foi servido ao som de boa música, bebidas e brincadeiras de light painting.

O dia seguinte começou cedo, às 05h00 já era possível escutar os primeiros obturadores, o nascer do Sol já se apresentava e não podíamos perder esta oportunidade. O grupo se espalhou e depois nos encontramos para um farto e delicioso café da manhã. Nadamos no Rio aguardando a chegada das Jornadeiras e partimos rumo à Vila da Ilha, no caminho a Natureza exuberante com vegetação característica e algumas cercas à pular.

Os moradores nos receberam com muita simpatia e cordialidade. Fomos presenteados com água, frutas, sorrisos e poses. Aproveitamos para degustar um caldo de costela acompanhado de cerveja e refrigerante, alguns preferiram café.

No retorno já com o sol à pino, um último banho, travessia e partimos para degustar deliciosos peixes, tucunaré, tilápia e tambaqui fizeram parte de cardápio. Beijos, abraços e promessas de encontros próximos e expectativas do novo ano que virá deram o tom da despedida.

Convocação para a 54ª Jornada Fotográfica - Pontal da Ilha


A última Jornada do ano acontecerá nos próximos dias 12 e 13 de dezembro, sábado e domingo, e o nosso destino será o pontal da ilha do Massangano (que fica em frente à ilha do Rodeadouro). Como já é tradição para os meses de dezembro, nós iremos acampar neste lugar, mais precisamente num banco de areia que fica de frente para o rio, onde passaremos a noite do sábado para o domingo.

Para reduzir os custos, nós iremos com os nossos próprios carros, que ficarão estacionados na travessia do Almizão. O ponto de encontro será a praça do Centenário (ao lado da igreja Matriz) às 14:00h do sábado. De lá, nós iremos para o Almizão onde tomaremos um barco que nos levará diretamente ao pontal. Depois de armar as nossas barracas, poderemos explorar um pouco da região, fotografar o por-do-sol e tomar banho de rio, que no local é raso e tranquilo. De noite assaremos espetinhos com acompanhamento, que serão levados por Aldenice e Itamar. Depois disso, poderemos fazer fotos noturnas do lugar. No dia seguinte, domingo, aqueles que quiserem poderão ir até a vila para fotografar (distante cerca de 30 min a pé), e os que preferirem poderão ficar no pontal aproveitando um pouco mais do lugar e do banho de rio. Ao meio-dia retornaremos para o Almizão, onde almoçaremos. A chegada em Petrolina está prevista para ocorrer entre 15:00 e 16:00h.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Fé e coragem


As 144 imagens desta edição, selecionadas a partir da produção de 19 participantes da 52ª Jornada Fotográfica realizada no último dia 03 de outubro na Fazenda Boa Esperança (Petrolina, PE) são um retrato vivo da vida do sertanejo, do seu ofício de vaqueiro, da sua coragem, da sua força e da sua fé.

Elas mostram como foi aquele sábado ensolarado no qual dezenas de vaqueiros e centenas de espectadores se reuniram não apenas para competir pelos prêmios e torcer pelos concorrentes, mas também para perpetuar e divulgar a sua cultura e as suas tradições.

Eles vinham de todos os cantos, a pé, nos seus cavalos ou em caminhões que traziam também os bois. As primeiras horas do dia foram dedicadas para organizar o ambiente, descarregar os bois e recepcionar os vaqueiros, muitos dos quais estavam ali matando as saudades de velhas amizades. Depois veio a missa e a hora do almoço, e finalmente a longa tarde iniciou com a série de competições.

As imagens evidenciam muito mais do que apenas caatinga, cavalos, bois e vaqueiros. Elas nos falam com eloqüência sobre emoção, coragem e persistência. Aliás, coragem e persistência que também foi a dos nossos fotógrafos, muitos dos quais não hesitaram em se posicionar no meio da mata, próximos dos bois e cavalos em disparada, porém sempre na expectativa de estar na hora certa e no local certo, e com isso conseguir as suas melhores imagens.

Um pouco depois do sol se por, completamente esgotados e cobertos por terra e poeira, era hora de retornar para o ônibus e seguir para o merecido banho em casa. A certeza do dever cumprido era grande, e agora aqui está a prova de que tudo valeu a pena. A missão foi cumprida com distinção e louvor, e por isso agradeço a todos. Novamente, vocês contribuiram de forma empolgada e decisiva para a construção de mais um grande capítulo da nossa história e também deste maravilhoso painel sobre a vida sertaneja que é a nossa obra.

Muito obrigado também ao Wellington, da Associação dos Vaqueiros de Petrolina, por ter nos propiciado esta oportunidade e ter nos dado todo o apoio para que tudo corresse da melhor forma possível em todos os momentos.

domingo, 25 de outubro de 2015

Contrastes e harmonia


Nada mais adequado do que uma Jornada Fotográfica na orla de Petrolina para celebrar o 120º aniversário da cidade. A Jornada, que aconteceu no último dia 20 de setembro, portanto na véspera do aniversário, traz um retrato da paisagem e da vida dominical neste trecho que é um dos cartões postais da cidade e onde convivem, lado a lado o luxo e a miséria, a sofisticação e a simplicidade, a modernidade e os tempos passados.

Das carrancas, esculturas e ilustrações que decoram a região, passando pela ponte Presidente Dutra e pela Ilha do Fogo, as imagens desta seleção mostram ainda as pessoas aproveitando para relaxar e curtindo os seus locais favoritos, cada um da sua maneira. Não resta dúvida de que se trata de um local de grandes contrastes, repleto de possibilidades, onde o convívio é harmonioso e oferece espaço para todos, sozinhos ou com as suas companhias preferidas. Curtam as fotografias e parabéns para os 20 jornadeiros que contribuíram com as suas imagens para esta edição!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Fotos da 50ª Jornada Fotográfica


Para visualizar as fotos da 50ª Jornada Fotográfica realizada nos dias 15 e 16 de agosto de 2015, em Salgueiro, clique aqui. Nessa edição é possível conferir as principais atrações da cidade, sendo que especial atençao foi dada ao povoado de Conceição das Crioulas, comunidade remanescente de quilombo situada na zona rural de Salgueiro.

Nossos agradecimentos especiais para Rilmar Cantarelli, diretor de turismo da cidade que ajudou no planejamento e realização da Jornada, assim com D. Lurdinha, que recebeu e acompanhou o grupo durante a visita ao povoado.

Explorando Salgueiro e Conceição das Crioulas


(Fotografias Fabio Neto)

Por Flavia Ramos

Era manhã do sábado, dia 15/08, quando os 24 participantes da 50ª Jornada embarcaram no micro-ônibus com destino a Salgueiro. Muita animação e expectativa nos acompanhavam. Parada em Orocó para tomar o café da manhã, com direito a um delicioso pastel de queijo coalho muito bem servido. 

Salgueiro nos recebeu com uma garoa gostosa e temperatura muito agradável, mas os pingos da chuva preocuparam os jornadeiros ávidos para colocar suas máquinas em ação. Desembarque no hotel para deixar as malas e seguir para o centro da cidade, já na companhia do diretor de Turismo da Prefeitura de Salgueiro, Rilmar Cantarelli, que elaborou nosso roteiro e nos acompanhou durante todo o tempo.

Nossas atividades fotográficas tiveram início com as feiras livres da cidade, território vasto e exuberante de riquezas, com personagens peculiares e infinitas cores para todo lado.

Seguimos então para a Igreja de Santo Antônio, a Matriz da cidade, situada no centro de uma singela praça, onde suas paredes amarelas se sobressaem em toda sua exuberância. Passeamos por sua praça, descansamos em seus bancos e ainda tivemos o privilégio de conhecer o casarão situado em frente à praça, de onde a vista é espetacular. 

Dando continuidade à nossa jornada, caminhamos pelas ruas de Salgueiro, observando a rotina da cidade e seus habitantes, até chegarmos ao Museu do Couro, onde está abrigado o Memorial do Vaqueiro, uma linda e forte exposição de fotografias e artefatos típicos desse personagem-símbolo do Nordeste.

De volta ao micro-ônibus fomos conhecer a "Casa do Sanfoneiro", uma casa de show onde o ritmo é dado pelo forró pé-de-serra e a decoração é toda baseada nas casas de taipa, típicas do interior.  

Retornamos ao hotel para descansarmos até o horário do jantar. Partimos então para uma "cuscuzeria", onde pudemos degustar essa refeição tão característica do nordestino. Muito cuscuz, tapioca, café e risada depois, demos então mais uma volta a pé pela cidade, observando a rotina noturna dos seus habitantes.

No domingo logo cedo, nos despedimos de Salgueiro e partimos rumo ao Povoado de Conceição das Crioulas, comunidade remanescente de quilombo. Com a companhia de Lurdinha, partimos para a parte rural do local, onde pudemos conhecer pinturas rupestres, formações rochosas com caldeirões e lagoa com vestígios de fósseis, tudo em um passeio muito agradável, incluindo no caminho a interação com aqueles que lá vivem e nos receberam com sorrisos tímidos e sinceros, tudo, claro, devidamente registrado por nossas lentes.

De volta ao povoado, fomos conhecer o artesanato desenvolvido pela comunidade, através da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas, sua igreja, ruas, pessoas e estabelecimentos. Após a caminhada, pausa para o almoço, onde a muito simpática Valdeci nos ofereceu um mungunzá salgado (ou pintado) e de sobremesa doce de xique-xique. 

Por fim, pegamos a estrada de volta, com o cansaço sendo vencido pelas experiências, faces e fotografias lá realizadas. 

sábado, 17 de outubro de 2015

Convocação para a 50ª Jornada Fotográfica - Salgueiro


(Fotografia de Cristiano Almeida)

(Para efeito de registro)

A 50ª Jornada fotográfica ocorrerá nos próximos dias 15 e 16 de agosto na cidade de Salgueiro, situada 235 Km de Petrolina. Nosso objetivo na cidade será conhecer seus atrativos culturais, folclóricos e ambientais.

Partiremos no sábado, dia 15/08, pela manhã. Nosso roteiro, a princípio, contém os seguintes atrativos e foi elaborado com o auxílio do diretor de Turismo da Prefeitura de Salgueiro, Rilmar Cantarelli, que irá nos acompanhar na Jornada:

Dia 15/08:
  • Visita à feira livre da cidade.
  • Memorial do Couro – Antiga Cadeia Pública – O atrativo abriga hoje o Memorial do Vaqueiro.
  • Igreja de Santo Antônio (Igreja da Matriz).
  • Chalé Vila Maria – Construído em 1919, hoje a família mantém o memorial do Coronel Veremundo Soares.
  • Praça da Matriz – Considerada a principal praça da cidade, tem todo o seu passeio em pedra portuguesa.
Dia 16/08:

Iremos ao povoado de Conceição das Crioulas, comunidade Remanescente de Quilombo.

“Segundo os moradores, a comunidade Conceição das Crioulas remonta ao início do século XIX, com a chegada de seis crioulas. Guiadas por Francisco José de Sá, um escravo fugitivo, elas chegaram e fixaram moradia. A região era habitada pelos índios Atikum, com quem as crioulas e seus descendentes passaram a conviver em harmonia.

Conceição das Crioulas destaca-se por ser uma das primeiras comunidades do estado a buscar seus direitos enquanto quilombolas, com um histórico de organização e mobilização fortemente marcado pela liderança feminina. Em 2000, foi fundada a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC), hoje responsável pela Comissão de Articulação Estadual das Comunidades Quilombolas de Pernambuco”

Na região iremos conhecer pinturas rupestres, formações rochosas com caldeirões, lagoa com vestígios de fósseis e o artesanato desenvolvido pela comunidade. Sítios arqueológicos que serão visitados: Pedra do Saco da Canoa, Pedra Preta, Pedra da Mão, Pedra Montada.

Nosso almoço será feito por Valdeci, coordenadora da Associação Quilombola de Conceição das Crioulas – AQCC. Em seguida, conheceremos a vila da comunidade local.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Convocação para a 53ª Jornada Fotográfica - Gruta do Sumidouro e Toca da Barriguda


A 53ª Jornada Fotográfica será realizada no próximo dia 08 de novembro, domingo, e terá como destino a Gruta do Sumidouro e a Toca da Barriguda, localizadas no município baiano de Campo Formoso. Famosas pela sua beleza e exuberância, tanto no Brasil quanto no exterior, elas são verdadeiros momumentos geológicos e também objeto de pesquisa de diversas instituições. A Toca da Barriguda, em particular, é a segunda maior caverna do país, com cerca de 30Km de extensão.

Em função das distâncias envolvidas e também das condições da estrada, nós precisaremos sair cedo e estar com muita disposição para enfrentar a viagem e ter o privilégio de conhecer esses lugares. Por isso, a partida acontecerá às 6:00h da manhã, da Praça do Centenário em Petrolina, com chegada prevista na Gruta do Sumidouro para às 9:00h. Para chegar lá, serão cerca de 20Km do centro de Petrolina até o trevo que fica na estrada que liga Juazeiro à Sobradinho, outros 10Km até o início do trecho de terra e finalmente mais 60Km até a gruta (que fica 30Km depois da Cachoeira da Gameleira, visitada no início deste ano). Lá nós ficaremos até às 11:00h, quando então seguiremos em frente, por outros 20Km na estrada de terra até a Toca da Barriguda, com chegada prevista no local para o meio-dia. Um almoço típico será preparado por uma cozinheira da região, que nos foi recomendada, e será servido DEPOIS da visita na Toca, por volta das 14:00h. O retorno está previsto para acontecer às 16:00, com chegada em Petrolina estimada para às 20:00.

Nós estaremos acompanhados o tempo todo pela guia Gicélia, profunda conhecedora da região e que trabalha com diversas agências de turismo. O transporte será feito em duas vans que estão sendo locadas para o nosso grupo. Na visita à Toca da Barriguda nós estaremos acompanhados por um guia local, especialista no acesso e na circulação interna da mesma.

Não tenham dúvida de que sera um dia muito cansativo, especialmente em função da quantidade de horas que passaremos dentro das vans nos deslocando. Mas tenham certeza também de que o esforço será altamente compensador e que teremos a chance de conhecer e fotografar locais únicos e de imensa beleza.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Domingo em Pedrinhas


As fotografias feitas no dia 28 de junho, durante a realização da 49ª Jornada Fotográfica, já estão disponíveis. Elas mostram, em detalhes e grandes panorâmicas, um domingo típico nesse que é um dos principais destinos turísticos da cidade e da região. Lá estão os barcos, a igreja, o cemitério, alguns moradores e, é claro, os bares e restaurantes que fazem a fama do local. Uma vila simples e pequena, mas não por isso menos rica e interessante.

Explorando Pedrinhas


Durante a realização da 49ª Jornada Fotográfica, no dia 28 de junho de 2015.

Convocação para a 49ª Jornada Fotográfica - Balneário de Pedrinhas


(Para efeito de registro)

A 49ª Jornada Fotográfica aconteceu no último dia 28 de junho, no Balneário de Pedrinhas. Distante cerca de 25Km do centro de Petrolina, o local é bastante frequentado por moradores e turistas que vão em busca dos bares e restaurantes ali reunidos, assim como da tranquilidade das águas no Velho Chico nesse trecho. Uma colônia de pescadores, com uma pequena vila, uma igreja própria e um cemitério também fazem parte do local.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Um olhar contemplativo sobre os costumes do vaqueiro


Por Paula Theotonio

Nada como ser impactada com uma realidade totalmente diferente da sua. E foi essa sensação que tive ao chegar, na manhã deste domingo (04), para uma pega de boi no mato na Fazenda Boa Esperança - situada no distrito de Rio Jardim, zona rural de Petrolina.

Cabe citar, antes de mais nada, que eu já conhecia o tradicional "esporte radical" do sertão: fotografei este ano a Missa do Vaqueiro de Serrita/PE - a mãe das celebrações desse povo; iniciada em 1970 por Luiz Gonzaga, o padre João Câncio e o poeta Pedro Bandeira (único vivo nos dias atuais).

Durante a programação, acompanhei uma pega de boi nos arredores do parque de eventos e vi, nos olhos daqueles nordestinos forjados na dura mata branca da caatinga, o amor que têm por aquela prática um tanto polêmica. Portanto devo dizer que quaisquer questões sobre "maus tratos versus cultura" já estão bem resolvidas em minha cabeça e prefiro não entrar nesse mérito aqui no blog. Melhor tratar disso numa mesa de bar :)

De volta às fotografias em pleno mato, com o sol de Outubro castigando, queria enxergar coisas que não tinha visto antes. Diferentemente da experiência em Serrita, desta vez havia uma possibilidade maior de me debruçar sobre a gastronomia do vaqueiro: comer um bom cuscuz com café coado na primeira refeição do dia e, no almoço, deliciar-me com bode, porco e galinha caipira; todos criados nas propriedades da comunidade.

A surpresa veio ao acompanhar o preparo: panelas enormes não sobre fogões de barro, mas em fornos artesanais cavados no chão. Sim, tudo feito ao ar livre, debaixo de uma árvore. Para mexer a comida era necessária a força masculina e experiente de Seu Jacó, responsável por manusear pedaços enormes de madeira e manter toda a carne cozida por igual. O resto era facilmente preparado pelas mulheres da comunidade. Após ouvir um relato de como se cozinhar um bode sem água ou panela, lembrei-me de que a culinária deste povo é de "resistência", assim como sua própria identidade.

De volta à pega de boi, escolhi um lugar estratégico - e seguro - para fazer as fotos que eu queria: os bois enfileirados, expressões de vitória, detalhes, etc. Bem melhor posicionados, mas nada a salvo, estavam vários rapazes do grupo; que caçavam do alto de galhos secos os seus melhores cliques. A busca pela foto ideal estava embebida em uma paixão comparável, na minha opinião, à dos vaqueiros que corriam, com seus cavalos, atrás do gado. A ousadia dos colegas rendeu não só bons cliques, como boas histórias - e algumas cicatrizes.

domingo, 4 de outubro de 2015

Histórias que ficaram no tempo


São muitas as histórias desta cidade baiana que emergiu das águas em período de longa seca. Histórias que ficam evidentes nas imagens colhidas pelos participantes da 48ª Jornada Fotográfica realizada no dia 17 de maio de 2015. Das pessoas que ali moravam, e de quem restaram apenas alguns poucos objetos pessoais, até de edifícios e outras construções que hoje se resumem a ruínas esparsas. Sem dúvida, um ponto de partida para uma reflexão imporante sobre o papel das cidades nas nossas vidas, e a forma como construímos a nossa própria história. Parabéns a todos pelas belas imagens e também  sensibilidade demonstrada ao lidar com patrimônio tão valioso. Para ter acesso às fotografias, é só clicar aqui.

Quando o mar virou sertão


(Fotografias de Rafael Lechado)

Foi uma Jornada para conhecer o mar que virou sertão, depois que o sertão virou mar. Com o nível das águas da represa de Sobradinho muito baixo por conta da estiagem, as ruínas da antiga Remanso ressurgiram  do fundo do lago. Uma oportundade única que foi explorada com grande entusiasmo pelos participantes da nossa 49ª Jornada Fotogrática. Entre eles, o paulistano Ricardo Inada, que nos deu a honra da sua presença, tendo vindo do sul especialmente para nos acompanhar neste dia.

por Ricardo Inada:

"Sou um eterno amante da fotografia, ainda na caminhada do aprendizado, mas sempre arriscando um "click" na captura de momentos. Moro em  São Paulo e já participei de alguns grupos em saídas fotográficas pela cidade. 

Sempre quis conhecer de perto a história das cidades que foram inundadas pelas águas do rio São Francisco, o relato do povo que habitava os antigos municípios, sua cultura, os sentimentos e lembranças que despertaram e ficaram na memória dessa gente que teve parte de sua trajetória submersa, em razão do represamento na barragem de Sobradinho.

Tomei conhecimento do grupo Jornadas Fotográficas do VSF há um ano, em pesquisas pela rede e me cadastrei  na expectativa de participar de um desses encontros algum dia e desde então vinha acompanhando suas atividades.  Para minha surpresa, em abril deste ano fui  informado que a próxima jornada (a 48ª) seria uma visita às ruinas da velha Remanso, então não tive dúvidas e confirmei minha participação. A disputa por uma vaga foi bastante acirrada, mas consegui embarcar  nessa viagem e conhecer esse pessoal super receptivo do grupo. 

Fiquei maravilhado com as duas cidades que se avizinham (Petrolina e Juázeiro) e como disse Angela Maria, uma integrante do grupo, um dito dos ribeirinhos:  “Uma vez que se bebe da água do Velho Chico, o rio nunca mais sairá de você, e você voltará sempre”, trago comigo essa esperança e muitas boas lembranças dessa experiência.

A todos, meus agradecimentos pelo carinho e apoio."

Aproveitamos para deixar registrado também o nosso agradecimento para a guia Lise Luz, que nos ajudou na elaboração do roteiro, nos mostrou os caminhos, abriu as portas do Museu do Sertão e nos acompanhou durante todo o dia.

Convocação para a 48ª Jornada Fotográfica - Ruínas de Remanso


(para efeito de registro)

A nossa próxima jornada acontecerá dia 17/05 (domingo) na cidade de Remanso BA, distante 210 km de Petrolina. A partida ocorrerá às 06:00 da praça do Centenário (ao lado da Igreja Matriz), no centro de Petrolina. Por favor cheguem no horário, não se atrasem.

Chegaremos a Remanso e iremos diretamente para as ruínas da cidade, que nesta época ainda mais expostas devido a grave seca. Quando for por volta de 13:00, almoçaremos na barraca da pescadora Francisca, que fica no cais da cidade. Além de peixe, ela também serve carne. Nosso almoço lá já está encomendado e será rateado pelo grupo. Tragam lanches e água para enfrentarmos esse período até o horário do almoço.

Venham com botas ou tênis e roupas confortáveis. Sandálias, sapatos,saias e vestidos são desaconselhados. Não esqueçam de vir com bastante proteção solar (chapéu e filtro).

Em nosso roteiro, também está inclusa a visita ao Museu do Sertão Antônio Coelho.

Pega o boi e tira a poeira


O dia começou cedo. Partimos às 7:20 da praça do Centenário e fomos dos primeiros a chegar na Fazenda Boa Esperança, situada no distrito de Rio Jardim, zona rural de Petrolina (veja o mapa). Depois de explorar um pouco o local, fomos recebidos com um café da manhã oferecido pela organização da 3ª Pega de Boi no Mato. O ambiente era de fazenda típica, com varanda e fogões no chão. Depois do café os vaqueiros foram chegando aos poucos e às 11:00h teve início a missa num palco montado especialmente para a ocasião. Eram pouco mais de meio-dia quando a Pega de Boi propriamente dita começou.

Os jornadeiros mais ousados se embrenharam no mato e ficaram em cima ou atrás de árvores e arbustos, na expectativa de capturar as melhores cenas dessa corrida tradicional. Quando ela tive início, a poeira levantou e cobriu a todos, indistintamente. Ela só foi baixar no final da tarde, depois da última corrida. Máquinas fotográficas, roupas e cabelos ficaram cobertos de terra, mas a emoção e os bons flagrantes dessa tarde compensaram largamente. Nesse meio tempo, fomos testemunhas da coragem e da bravura destes vaqueiros no exercício do seu ofício, aqui transformado em competição. Foi uma aventura e tanto, que ainda incluiu um almoço sertanejo muito saboroso oferecido pela organização para o nosso grupo também.

Eram 17:45 quando precisamos embarcar de volta, ainda faltando duas corridas para o término do certame e o anúncio dos vencedores. Já dentro do ônibus, ouvimos as palavras de agradecimento do Wellington, da Associação dos Vaqueiros de Petrolina, que nos convidou e viabilizou a nossa presença neste dia, assim como do dono da fazenda e de outros que por ali passaram e fizeram questão de demonstrar a sua simpatia para com o nosso grupo.

A todos vocês, o nosso muito obrigado! Fomos muitíssimo bem recebidos e esperamos poder retribuir em breve com boas imagens desse dia inesquecível. Sucesso com os próximos eventos!

P.S. A terceira foto acima é de autoria da Verônica Leal.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Entrevista sobre a exposição Petrolina um Verso Escrito em Luz

video

Entrevista concedida para a TV Grande Rio (afiliada da TV Globo em Petrolina) no último dia 20 de setembro de 2015, por ocasião da inauguração da exposição Petrolina um Verso Escrito em Luz.

Um passeio fotográfico para comemorar os 120 anos da cidade



O sol estava forte quando o grupo iniciou a caminhada pela orla de Petrolina, pontualmente às 14:00h do último dia 20 de setembro, no final da orla nova, em frente ao restaurante Bera D'Água, durante a realização da 52ª Jornada Fotográfica.

A partir de lá, caminhamos em direção à Porta do Rio, aproveitamos para fotografar o Velho Chico, a Ilha do Fogo, a ponte Presidente Dutra, as margens cobertas de vegetação, os prédios, os comerciantes e os transeuntes que aproveitavam a tarde de domingo, véspera de feriado - aniversário de 120 anos de Petrolina!

Depois dessa exploração inicial, que apesar de fazer parte do nosso cotidiano sempre revela aspectos surpreendentes, embarcamos no catamarã que nos levou para um passeio pelo Velho Chico, entre 16:30h e 18:30h. De lá, pudemos explorar ambas as margens do rio, a despedida do sol e o início da noite sobre as suas águas calmas. Para animar, tivemos um recital de poesias do amigo Carlos Laerte e a voz e o violão do animado Anselmo Oliveira, que nos acompanhou durante todo o percurso.

Terminamos com um jantar num dos restaurantes da orla, antecipando as comemorações do aniversário da cidade que foi por nós homenageada com este singelo passeio.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Convocação para a 52º Jornada Fotográfica - Pega de Boi no Mato

A nossa próxima Jornada acontecerá no dia 03 de outubro, sábado, numa fazenda situada no distrito de Rio Jardim, na zona rural de Petrolina. A partir do posto Asa Branca, localizado na saída da cidade, serão 33,5Km de estrada de asfalto no sentido de Afrânio e depois outros 6Km de estrada de terra até a fazenda.

Nesse dia haverá no local uma competição entre vaqueiros da região, conhecida como "Pega de Boi no Mato". Essa competição tem origem nas corridas que os vaqueiros fazem para resgatar os animais desgarrados dos rebanhos que entram pela caatinga, e se tornou um esporte bastante popular entre eles. A competição consiste no seguinte: o boi recebe um laço no pescoço e, depois de solto, o vaqueiro que conseguir retornar ao ponto de partida no menor tempo com laço na mão recebe o prêmio. A Pega de Boi no Mato é precursora da moderna vaquejada, porém com duas diferenças importantes: o boi corre solto no mato e os vaqueiros procuram evitar danos físicos ao animal.

Serão 100 bois que irão ser soltos três vezes cada um ao longo do dia, totalizando 300 corridas. Mais de 100 vaqueiros da região deverão estar presentes ao evento que espera receber também cerca de 1.000 visitantes. Será uma oportunidade ímpar para fotografarmos não apenas os lances desse esporte típico, mas também a própria fazenda, os vaqueiros e a festa, que é organizada pela Associação dos Vaqueiros de Petrolina.

Nós partiremos da praça do Centenário, no centro de Petrolina, às 7:00h da manhã. A chegada na fazenda está prevista para às 8:00h, quando será servido um café da manhã para os presentes. Logo em seguida terá início a Pega do Boi, que se estenderá até às 17:00h. Às 11:00h haverá uma missa no local, e ao meio-dia será servido o almoço.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Petrolina: um verso escrito em luz


Por Paula Theotonio

Princesa do Sertão, Milagre do São Francisco, Califórnia Brasileira. De Passagem para Juazeiro a Encruzilhada do Progresso Brasileiro. Um território de grandes sonhos plantados na dureza da caatinga, de onde frutificaram beleza e desenvolvimento. Em homenagem aos seus 120 anos, o Jornadas Fotográficas do Vale do São Francisco realiza no River Shopping, entre os dias 19 de setembro e 04 de outubro, a exposição 'Petrolina: Um Verso Escrito em Luz'.

A exposição, que ficará disponível no hall do centro comercial, traz em 30 clicks muito além das paisagens e do patrimônio histórico do município; aborda seus habitantes e personagens, o cotidiano, manifestações culturais e religiosas. Segundo o fundador do grupo - fotógrafo, engenheiro eletrônico e mestre em sistemas digitais, Marcus Ramos - a curadoria da mostra contou com a participação ativa dos membros.

"Não foi fácil elencar, num acervo tão vasto como o nosso, como gostaríamos de representar a cidade, em uma data tão especial, através de recortes fotográficos. Deixamos, então, que nossas escolhas fossem inspiradas pela poesia da cidade e guiadas pela luz no rosto de cada habitante desta terra rica em felicidade. Nasceu não apenas a exposição, como seu nome", disse Marcus.

A mostra também celebra os 5 anos de atuação do grupo, composto por mais de 250 fotógrafos e simpatizantes engajados em documentar, divulgar e valorizar o Vale. De setembro de 2010 para os dias atuais, foram realizadas 50 expedições pelas maravilhas da região. Com dois encontros mensais - um para a Jornada em si e outro para debate dos clicks realizados - os participantes passam a se conectar ainda mais com a realidade que os cerca e ainda colaboram para desenvolver a linguagem fotográfica no sertão. 

Saiba mais sobre o grupo em www.jornadasfotograficas.com.br.

Serviço:
Exposição fotográfica Petrolina: Um Verso Escrito em Luz
River Shopping - Petrolina
19/09 a 04/10
Horários: segunda a sábado: 10h às 22h | domingo: 13h às 22h.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Convocação para a 51ª Jornada Fotográfica - Orla de Petrolina


A 51ª edição do Jornadas Fotográficas acontecerá no próximo dia 20 de setembro (domingo) na orla de Petrolina. Nós partiremos da orla nova (em frente ao restaurante Bera D'Água) e seguiremos caminhando até a Porta do Rio, num percurso de aproximadamente 2km. Durante o caminho, vamos fotografar as paisagens e os detalhes dessa orla e desse rio tão admirados e louvados, assim como da vida que nela transcorre e dos personagens que nela habitam e frequentam.

Ao chegar na Porta do Rio, embarcaremos num catamarã que nos levará pelo rio num passeio com cerca de duras horas de duração. Durante esse trajeto, teremos a chance de fotografar a orla vista do próprio rio, tanto de dia como de noite, e ainda aproveitaremos para registrar o por-do-sol e o final do dia.

Nós estaremos concentrados no Bera D'Água a partir das 13:30h e iniciaremos caminhada impreterivelmente às 14:00h. O catamarã partirá da Porta do Rio às 16:30h. O retorno está previsto para acontecer às 18:30h.

Abraços e até lá, com lindas fotos da orla de Petrolina!

domingo, 13 de setembro de 2015

Exuberância pura


A Jornada mais distante realizada até a presente data (~ 540 Km) levou 17 jornadeiros de Petrolina e Juazeiro até a Ilha de Boipeba, situada na costa baiana ao sul de Salvador. O esforço de organização e de viagem foram grandes, mas o resultado é indiscutível: Boipeba é uma explosão de cores, flora e fauna, é a natureza na sua plenitude irradiando e contagiando de forma indistinta todos os que ali moram e os que estão de passagem. Confira aqui as 178 fotografias produzidas pelos 17 participantes da 47ª Jornada realizada em abril, e deixe-se impregnar por esse astral maravilhoso você também!

Convocação para a 47ª Jornada Fotográfica - Ilha de Boipeba (BA)


(Para efeito de registro)

A Jornada do mês de abril acontecerá na Ilha de Boipeba, situada no litoral da Bahia e distante cerca de 540Km de Petrolina. Serão quatro dias de Jornada num lugar paradisíaco, sendo que o primeiro (02/04, quinta-feira) e o último (05/04, domingo) serão dedicados, parcialmente, às viagens de ida e de volta.

“Em virtude do patrimônio natural, a ilha está integrada à Área de Preservação Ambiental das Ilhas de Tinharé e Boipeba. A região foi reconhecida pela UNESCO como Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade, estando inserida no Corredor Central da Mata Atlântica” (http://www.ilhaboipeba.org.br/boipeba.html).

A ideia desta Jornada surgiu em outubro de 2013, quando o nosso grupo teve a oportunidade de conhecer a fotógrafa Cristina Cenciarelli em um dos Encontros Fotográficos promovidos pelo Instituto Revelare em Petrolina. Apaixonada pela Ilha de Boipeba, onde mora há vários anos, esta italiana ganhou instantaneamente a simpatia e a admiração do nosso grupo ao revelar a sua sensibilidade fotográfica e também o seu amor pela ilha, pelos seus habitantes e pelas suas tradições. Naturalmente, nós começamos naquela época a discutir a ideia de uma Jornada em Boipeba, com grande incentivo da própria Cristina.

Depois de muito trabalho de planejamento sobre a melhor forma de realizar esta Jornada, nós estamos aqui finalmente anunciando a sua realização. Estamos trabalhando com a possibilidade de realizar os seguintes passeios:

1)​ ​P​asseio de canoa indígena, com guia, dentro do manguezal, onde poderemos ver uma marisqueira trabalhando/pescando no mangue.

“Canoa artesanal construída com troncos de madeiras retirada da mata em determinadas fases da lua por pescadores nativos de Boipeba. O passeio é irresistível, subindo o rio do Sapê por canais estreitos e longos de manguezais facilitando a proximidade com as riquezas dos ecossistemas do rio, nos manguezais encontraremos diversidades de mariscos que habitam em meio ao mangue como o siri, caranguejo, guaiamu, aratu, ostras e lambretas. O silêncio dentro do manguezal impera e nos traz uma sensação de tranquilidade e harmonia com a natureza”. (http://www.boipebatur.com.br/)

2)​ ​​P​asseio até a praia de Moreré (4 km), passando pelo promontório de Tassimirim e pelas praias de Tassimirim, da Cueira e de Moreré.

3)​ ​V​isita à Vila de Velha Boipeba, onde poderemos conhecer a Igreja do Divino Espírito Santo, a casa de Farinha e o "Museu dos Ossos".

“Formada ao redor da Praça Santo Antônio, Velha Boipeba é o povoado de maior importância da Ilha, com uma população em torno de 1.800 pessoas essencialmente ligadas à atividade pesqueira, e que tem recebido grande influência do turismo nos últimos 10 anos. A Igreja do Divino Espírito Santo de Velha Boipeba, construída pelos jesuítas, é o monumento histórico mais importante da Ilha de Boipeba. Ela foi construída por volta de 1610 e ampliada no século XIX”. (http://www.ilhaboipeba.org.br/boipeba.html).

“O Museu foi construído há mais ou menos 45 (quarenta e cinco) anos atrás, por um pescador da Ilha que é conhecido, como o Mr. Cabeludo, devido as suas “belas” madeixas. Ele fundou o museu na sua própria residência, que diga-se de passagem muito humilde. O Mr. Cabeludo deu início ao trabalho a partir do momento em que começou a juntar ossos de animais marinhos como baleias, golfinhos, tartarugas e outras diversidades de espécies de peixes e crustáceos”. (http://www.boipebatur.com.br/)".

​As inscrições estão, portanto, abertas. Quem vai?

A saudade e a casinha amarela


Por Joana Pereira

A 47ª expedição fotográfica à Ilha de Boipeba foi recheada de surpresas e, como tantas outras, foi marcante pelos acontecimentos e pelas novidades peculiares de seu lugar. Muitas coisas ficaram impregnadas em nossas mentes: a casinha amarela, o barco amarelo a rede amarela, o azul do mar, entre tantas belezas. Tudo foi especial e singular. O verde e o marrom quase preto do mangue, assim também o cheiro de maresia não serão esquecidos.

Como não sentir saudades de sensações agradáveis e prazerosas? Tudo funcionou como o planejado; a viagem à Boipeba transcorreu tranquilamente, saímos às 5:15h de Petrolina e chegamos no cais de Graciosa às 16:40h. Depois de cansados de tantas horas no ônibus, percorremos ainda duas horas e quarenta minutos no barco. Para fugir da “rotina” aproveitamos para fotografar o lindo por do sol, a natureza e nos fotografar.

Marcar nossa presença e lugar em Boipeba não foi difícil, pois desde a chegada sentimos um aconchego na recepção, assim que avistamos uma mulher à frente de casinhas amarelas nos aguardando. A senhora Dária, com seus mimos e delicadezas, nos fez sentir em casa o tempo todo, e não deixou por menos o acolhimento de Cristina, nossa acompanhante em vários passeios.

A singularidade advém da simplicidade, da boa aceitação daquilo que não foi programado e também do que foi organizado com tamanha delicadeza, como o tilintar de um encontro regado a caipirinha com gosto picante de gengibre. A lembrança do peixe feito no fogão à lenha, o cheiro peculiar de um sabonete, a flor posta ao lado da xícara arrumada carinhosamente e as cores compostas na mesa. Esses instantes somente indicam que a experiência marcou e a saudade ficou.

Muitos jornadeiros repetiram que não queriam voltar e deixar as belezas para trás, as amizades. A saudade é algo inerente aos seres humanos. Àqueles que se deixam envolver, se relacionam com outros, com a natureza, objetos, com os bichos, usufruem desse sentimento. Tom Jobim expressou em versos o que estamos sentindo “... a realidade é que sem ela não pode ser...” ainda estamos melancólicos, apegados ao que vivemos, pois a saudade é sentida depois de um aconchego em uma casinha amarela, de um aceno, de uma espera, de um reencontro.

Sem dúvida tivemos muitos momentos de puro êxtase em Boipeba. As belezas que nos cercavam eram dignas de admiração. Assim acontece em todas as Jornadas, quando não estamos diante de lugares rochosos exuberantes, o Rio São Francisco está como pano de fundo ou como a personagem principal.  Em Boipeba os cenários divergiram e convergiram para lindos registros: a ilha de Boipeba velha, a igreja do Divino Espirito Santo, o Museu dos Ossos, o Morro do Quebra Cu, o por do sol, a lua, o manguezal, o rio do Inferno, a pousada e o mar que proporcionou um banho em águas transparentes e quentes.

Evidentemente que nossas lentes flagraram muitos detalhes, no qual o amarelo apresentou-se com maestria e vivacidade em Boipeba, e por isso, o amarelo com uma pitada de afeto e recheada de carinho foi traduzida em saudade. Nessa jornada, o mar e o rio, estiveram numa fusão delirante onde vimos e sentimos o arrebatamento desse encontro nas idas e vindas da maré.

Dois dias visitando a ilha na companhia de Cristina Cenciarelli, comprovamos realmente que a mesma nutre um amor por este lugar, pelos seus habitantes e pelas tradições. Ao ouvirmos o som “CAZZAROLA” pronunciado diversas vezes por Cristina compreendemos mais uma vez que os signos linguísticos são construídos, assim também os usos, regras e combinações semânticas. Para nós “CAÇAROLA” ecoou muito carismático e constatamos nas ruas da velha Boipeba que os moradores sempre saudavam-na gritando “Cazzarola”, em seguida, abraços e olhares eram trocados. A italiana articulava a palavra com tamanha admiração conseguindo expressar subjetividades e sentimentos positivos para todos.

Para finalizar essa narrativa não podemos deixar de falar de um dos momentos idílicos dessa Jornada que foi regado de música, poesia, caipirinha, paródias, descontração e conversa. Muita atenção para ouvir os versos da canção “o Corcovado” de Tom Jobim na voz de Cristina Cenciarelli.  Surpresa e inicialmente atônita, recebeu o violão e foi convidada a cantar, já nos primeiros acordes demonstrava o quanto íntima era das notas. “Um cantinho, um violão/Esse amor, uma canção/ Prá fazer feliz/ A quem se ama...”.

Diante de tamanha nostalgia, muita música, fomos agraciados ainda com os versos “...É melhor ser alegre que ser triste/ Alegria é a melhor coisa que existe/ É assim como a luz no coração...” A magia recortou o tempo com a sutileza de Luan a partir da música “Samba da benção” de Vinicius de Moraes; abençoou todos que ali estavam no aconchegante cantinho da Casinha Amarela. Lembrando das características mais visíveis e positivas dos dezessete participantes dessa Jornada e das duas mulheres, Dária e Cristina, parodiou e nos convidou a repetir o termo Saravá sempre que concluía a saudação sobre uma pessoa. Esse poderoso mantra fechará mais uma Jornada e fixará boas vibrações para os próximos encontros SARAVÁ!!!

(Fotografias de Itamar Maia)

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A água e o verde do sertão

O cenário é de um parque aquático natural em floresta tropical, mas estamos em pleno sertão. O rio, a cachoeira e a vegetação verde e abundante chamam a atenção nas imagens realizadas pelos participantes da 46ª Jornada Fotográfica ocorrida no último dia 08 de março. Foi um dia de fotografia, diversão e aventura na vizinhança de Petrolina e Juazeiro, um programa ideal para quem quer sair um pouco da rotina sem ir tão longe - confira as imagens aqui.

Dia da Mulher na Gameleira


Por Tathiana Rangel

O Dia Internacional da Mulher de 2015 começou, aproximadamente às 07h20, com a 46ª Jornada Fotográfica para 37 participantes que ocuparam os assentos de um ônibus e um furgão com destino à Cachoeira da Gameleira, situada no município de Juazeiro-BA. A viagem apresentou uma duração de duas horas em um percurso acidentado.

Após desembarcarmos e acompanhados de nossos equipamentos fotográficos, percorremos ainda 500 metros em uma estrada de terra até chegarmos no lago. Neste percurso, foi possível uma boa exploração fotográfica da redondeza, registrando a vegetação, rochas, as águas do lago e até mesmo pequenas construções.

Às 10h todos já estavam nas aproximações do lago e desfrutando de uma excelente visualização com quedas d' águas, vegetações e imensos paredões de rochas. Ficamos empolgados com a possibilidade de aproveitarmos este dia tão especial com muita alegria, conversas, banhos, lanches e bebidas, e claro, muitos registros fotográficos.

Por volta de 12h, outros visitantes também já compartilhavam conosco a diversão e apreciação local, e foi possível participar de experiências inéditas juntamente com esses visitantes, em que alguns se aventuraram pulando do alto das rochas para o lago. Apesar de perigoso, este episódio não causou nenhum acidente, e proporcionou também registros com excelentes imagens.

Um pouco antes das 14h, retornamos no percurso que dava acesso aos transportes, e continuamos a desfrutar das maravilhosas sensações e experiências deste passeio. O calor já estava intenso, quando partimos definitivamente. O retorno foi embalado com piadas, músicas e muita conversa boa entre os participantes.

Quando chegamos na praça da Igreja Matriz em Petrolina às 16h, finalizamos o passeio de domingo com um belo registro fotográfico. Apesar dos integrantes estarem visivelmente cansados, os momentos foram revigorantes, em que foi possível conhecer novos amigos e também estimulantes, para o início da semana.

(Fotografia de Maurício André)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Pela história, pelos vinhos e pelas águas

Já se foram quatro meses, mas parece que foi ontem. Um grande grupo, formado por 39 jornadeiros, embarcando no ônibus e depois em duas canoas para chegar até a antiga igreja da ilha do Pontal em Lagoa Grande. Depois, a visita na Vitivinícola Santa Maria para conhecer todas as etapas envolvidas com a produção do vinho sertanejo que conquista cada vez mais espaço no Brasil e no exterior. Finalmente, um passeio de catamarã inesquecível, regado a espumante e abençoado com o lindo por-do-sol no Velho Chico. Tudo isso está disponível nas 194 imagens selecionadas entre a produção de 34 dos 39 participantes. Para conferir, é só clicar aqui. Em nome do grupo, eu gostaria de deixar registrados os mais sinceros agradecimentos a João Santos, da Vitivinícola Santa Maria, e a Nélio Carvalho da Silva, da Opção Turismo, que nos apoiaram com grande entusiasmo na realização desta Jornada. Bom proveito e tim-tim!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Convocação para a 46ª Jornada Fotográfica - Cachoeira da Gameleira

A nossa próxima Jornada acontecerá no dia 08 de março, domingo, e terá como destino a Cachoeira da Gameleira, situada no município de Juazeiro (BA). Apesar das suas dimensões reduzidas, o local apresenta um conjunto de grande beleza, formado por rochas, lago, vegetação e queda d´água, onde se pode inclusive tomar banho e explorar as redondezas à pé.

O lugar fica distante cerca de 65Km do centro de Petrolina, sendo que metade do percurso é formado por estradas de terra. Por isso, o tempo total para chegar lá será de cerca de duas horas e meia. Durante o período da visita, haverá tempo suficiente para fazer uma boa exploração fotográfica do lugar e das redondezas. Os que quiserem poderão também levar roupa de banho para se refrescar nas águas do lago formado pela queda d´água. Todos deverão levar bastante água e lanches, pois não há nada para comprar no local. O lanche será o próprio almoço de cada um, portanto não deixem por menos.

O local, infelizmente, o local apresenta uma certa quantidade de garrafas de bebida quebradas e jogadas no chão, entre as pedras. Além disso, também existem muitas plantas que causam graves queimaduras na pele. Assim, recomendamos fortemente que todos venham calçados com botas ou tênis (nem pensem em usar sandálias ou vir descalços) e usar calças compridas, de preferência jeans, pois shorts e bermudas poderão facilitar cortes e queimaduras. Outra recomendação importante refere-se ao ingresso nas águas da lagoa. Recomendamos fortemente que se evite pular do alto das rochas para o lago, uma vez que não conhecemos a profundidade do mesmo em toda a sua extensão. O mais seguro será entrar na água pela parte de baixo, o que esperamos seja cumprido por todos que desejarem entrar na água.

O micro-ônibus chega até perto do local, porém haverá necessidade de se caminhar os últimos 500m, tanto na ida quanto da volta. As inscrições dessa vez serão limitadas à lotação do micro-ônibus, que comporta 21 pessoas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Uma Jornada borbulhante

Passava um pouco das 7:00h da manhã quando os 39 participantes da 45ª Jornada Fotográfica ocuparam os assentos do nosso ônibus - pela primeira vez, um ônibus grande - em direção à Ilha do Pontal em Vermelhos (Lagoa Grande). Depois de desembarcar no Cais de Vermelhos, foi a vez de trocar o conforto e a segurança sobre rodas pela instabilidade e a emoção dos barquinhos que fazem a travessia até a Ilha do Pontal.

Divididos em dois barcos, e com as máquinas nas mãos, chegamos lá em menos de 10 minutos e seguimos caminhando por outros 15 até a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios. Construída pelos índios no início do século XIX, ela comove pelo despojamento da sua decoração, pelos resquícios da sua história espalhada por todos os cantos, e também pelo anexo onde estão guardadas fotografias e ex-votos de fiéis. Ao lado da igreja, o cemitério onde são enterrados os moradores mais antigos de Lagoa Grande, também chamou a atenção de vários do nosso grupo.

Às 10:00 precisamos retornar para os barquinhos e em seguida para o ônibus, a fim de nos deslocar e iniciar a visita na Vitivinícola Santa Maria, no mesmo distrito de Vermelhos. Lá fomos recebidos por guias nos levaram inicialmente para o viveiro de mudas, depois para a área plantada e finalmente para a fábrica. Na plantação foi difícil não querer experimentar os cachos maduros e muito doces de aragonez que estavam por toda parte. Algo que, naturalmente, ninguém resistiu. Na fábrica, conhecemos o processo industrial de fabricação de vinhos e espumantes e visitamos a sala das barricas, que não foram poupadas pelas nossas máquinas.

Um pouco antes das 13:00h chegamos na casa de hóspedes, situada na margem do rio, onde pudemos relaxar, almoçar e, é claro, experimentar os vinhos produzidos no lugar. Algo que foi feito com muita animação e serviu para embalar o passeio de catamarã que viria em seguida. Antes disso, no entanto, um grupo ainda foi até a loja da vinícola para fazer compras.

Dentro do barco, apreciamos a vista espetacular do rio e fomos até o local conhecido como Praia de Isis, uma espécie de banco de areia situado no meio do rio, onde paramos para tomar banho numa área bastante rasa. Embalados pelos espumantes, pelo calor gostoso, pela frescura da água, pela animação da conversa, pela linda vista e pela alegria de estar junto com os amigos, o tempo correu lentamente e o teor alcoólico geral subiu rapidamente. Não mais do que suficiente, no entanto, para garantir um final de tarde inesquecível e deixar registros e sensações que ficarão na memória de todos por muito tempo.

Do catamarã fomos direto para o ônibus e chegamos em Petrolina por volta das 19:30h. Um pouco cansados, mas definitivamente renovados para iniciar a semana com a certeza de quem tirou o máximo do domingo e ainda trouxe muitas boas fotos para casa.