segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Da guabiraba à estação de trem


O céu estava nublado quando embarcamos às 6:30h do sábado 19/08 na nossa van com destino à Senhor do Bonfim. Quando lá chegamos, um pouco depois das 8:00h, o céu já estava azul e o sol brilhava forte. E foi assim que passamos o dia naquela cidade encantadora, onde é realizada uma das feiras livres mais importantes do nordeste.

Subimos e descemos ruas, entramos em galpões, visitamos barracas e constatamos que a feira é de fato muito grande e diversificada. Localizada bem no coração da cidade, ela movimenta pessoas e mercadorias e faz parecer que estamos em um dia de semana. Os setores de frutas e carnes foram os que mais chamaram a atenção. Nas frutas, descobrimos a guabiraba, uma pequena frutinha doce que caiu logo no gosto do nosso grupo. E, depois dela, encontramos o andú, uma espécie de feijão da qual a maioria também nunca tinha ouvido falar. No setor das carnes, uma oferta impressionante de todo tipo e para todos os gostos: das cabeças de carneiro e bode ensanguentadas que parecem saídas de filmes de terror, até bofes, tripas e outras iguarias que só no interior se pode achar.

Assim foi que ficamos até cerca de meio-dia explorando esse universo rico e diversificado de cores, texturas e personagens. De vez em quando, é claro, uma parada para degustar uma banana, uma goiaba, uma jaca, uma mexerica, um pedaço de queijo ou qualquer outra coisa que saltasse aos olhos de jornadeiros que começavam a sentir fome. Por volta do meio-dia sentamos num bar da praça para descansar e tomar umas cervejas geladas antes do almoço. Terminamos de comer por volta das 13:00h e resolvemos aproveitar o início da tarde para explorar um pouco da cidade antes de voltar para casa.

Fomos inicialmente até a antiga estação de trem (inaugurada em 1944), e depois para um galpão abandonado um pouco mais distante mas também pertencente à estação. Por último, andamos pela praça principal, fotografamos a árvore que chama a atenção pela largura do seu tronco e registramos o dourado da luz do sol projetada na fachada da Escola Municipal. Faltavam cerca de 20 minutos para às 17:00h quando embarcamos na van para o nosso caminho de volta. A chegada em Petrolina aconteceu por volta das 19:00h.

Esta foi, ao mesmo tempo, a última Jornada da nossa querida Paula, que está de mudança para o litoral, e a primeira Jornada da Josie, que acompanhava o grupo à distância já há um certo tempo, e que apenas agora conseguiu se juntar presencialmente à nós. Paula, saiba que você é muito querida e vai fazer muita falta com a sua animação e disposição. Apareça sempre que puder e sucesso com seus novos projetos! Josie, foi uma grande alegria contar com a sua presença. Apareça sempre que puder e continue junto, mesmo que à distância! Da mesma forma, damos as boas-vindas à Candice, que pela primeira vez dedicou o seu dia para fotografar conosco. Seja sempre muita bem-vinda e retorne mais vezes!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Convocação para a 71ª Jornada Fotográfica - Feira Livre de Senhor do Bonfim


A nossa primeira Jornada depois das férias de julho acontecerá no próximo dia 19 de agosto (sábado), em Senhor do Bonfim (BA), distante cerca de 120Km de Petrolina/Juazeiro. Neste dia e nesta cidade acontece a segunda maior feira livre do nordeste, que será o foco das nossas atenções. Com um quilômetro de extensão, ela perde apenas para a Feira de Caruaru e já recebeu visitantes ilustres, tais como Lampião e Luiz Gonzaga.

A partida acontecerá às 6:00 h da manhã do dia 19, sábado, da praça do Centenário, no centro de Petrolina. Ao chegarmos em Senhor do Bonfim iremos direto para a feira, onde passaremos a manhã até o início da tarde fotografando (aproximadamente entre 8:00h e 14:00). Às 14:00h iremos almoçar no restaurante Macaxeira, no centro da cidade. Ao término do almoço retornaremos para Petrolina, com chegada prevista para às 18:00h. O transporte será feito por um micro-ônibus alugado especialmente para o nosso grupo.

Como iremos permanecer cerca de seis horas na feira, recomenda-se levar água e lanches para o período. Além disso, muita proteção solar também (filtro e chapéu).

A feira livre, como todos sabem, é uma fonte inesgotável de temas fotográficos para o nosso grupo. Assim, vamos focar nas pessoas, barracas, produtos, cores, texturas, expressões e em tudo mais que sempre nos surpreende em locais deste tipo.

A ideia desta Jornada veio de uma conversa com o nosso amigo e eterno jornadeiro Fábio Neto, que voltou de lá entusiasmado com o que viu:

"Sabe aquele cenário de reportagens sobre feiras livres na TV? A Feira de Senhor do Bonfim é a grande representação desta imagem. Ela é uma das maiores do Nordeste e umas das mais emblemáticas da Bahia. A feira acontece ao longo de ruas e praças no centro de Senhor do Bonfim entre becos, ruas e vielas de um bairro “enladeirado”. Na sua entrada principal, do alto, é possível ver a serra que circunda a cidade e as nuvens que, logo pela manhã, já produzem uma imagem diferenciada.

Ela é dividida em setores entre temperos, carnes, hortaliças, cachaças, doces e frutas; barracas e lonas no chão; roupas, CDs e brinquedos. As tendas laranjas e azuis dão efeitos diferentes nos corredores e é o principal ponto de encontro da população local. Na parte edificada podem ser encontrados comes e bebes.

Passeio de uma manhã inteira!"

quarta-feira, 21 de junho de 2017

História, cultura e carisma no Recôncavo Baiano


As nossas atenções desta vez estiveram voltadas para o Recôncavo Baiano, esta região tão rica dos pontos de vista histórico, cultural e econômico, e tão diferente do Vale do São Francisco nos mesmos aspectos e também no clima, na vegetação e na paisagem.

Desta vez usamos os nossos próprios veículos para levar os seis jornadeiros de Petrolina para Cachoeira (a sétima, Alvany, encontrou conosco em Cachoeira), numa viagem que se estendeu por 440Km e nos consumiu praticamente um dia inteiro para ir e outro para voltar. Na ida paramos no Posto Folha Seca, ainda em Juazeiro, para um típico café da manhã sertanejo. Depois, almoçamos na churrascaria Boi na Brasa em Capim Grosso, local onde também comemos no retorno. 

A chegada em Cachoeira aconteceu por volta das 16:00h (partimos um pouco antes das 9:00h), e por isso ainda tivemos tempo de fotografar um pouco com a luz do dia. Desde a entrada na cidade ficamos surpreendidos com a densidade da vegetação, o clima ameno e os enfeites para as festas juninas nas casas da zona rural.

Nos acomodamos na Pousada do Convento do Carmo, antigo convento que hoje faz parte do histórico Conjunto do Carmo, e rapidamente saímos para fazer a exploração inicial da cidade. Caminhamos pela orla do rio Paraguaçu, descobrimos ruas e becos, admiramos o seu lindo conjunto arquitetônico e procuramos não dormir muito trade para poder aproveitar bem o dia seguinte.

Na sexta-feira, dia 16/06, acordamos cedo e, debaixo de sol e céu azul, conhecemos Cachoeira e São Félix à pé. Os carros, neste dia, não saíram do lugar onde estavam estacionados desde a noite anterior. Fomos inicialmente à Casa de Câmara e Cadeia Pública, onde conhecemos a história do início do movimento que iria eclodir na independência do Brasil em relação à Portugal. Depois, estivemos na Fundação Hansen Bahia, onde tivemos o privilégio de ser atendidos pela Cristiane e pelo Jomar Lima, museólogo e fotógrafo. Ambos nos apresentaram ao artista Hansen Bahia, um europeu radicado no Recôncavo e com um legado de gravuras e xilogravuras espetacular. De quebra, ainda fomos presenteados com um livro de fotografias de autoria do próprio Jomar Lima. De lá, o próprio Jomar se incumbiu de telefonar para o responsável pelo museu da Ordem Terceira do Carmo, nos recomendar e assim conseguir uma autorização para uma visita ao lugar, normalmente fechado aos turistas. Assim é que fomos então em seguida para a Ordem Terceira, onde fomos gentilmente recebidos pelo senhor Antônio, que nos conduziu por todas as dependências, sempre nos explicando os detalhes de cada obra e sua história. 

Como já era hora do almoço, procuramos uma opção e acabamos sendo recomendados para a Jeilza, na orla, onde alguns saborearam um famoso prato regional - a maniçoba - e outros o típico "mocófato". Tudo isso ao lado de uma rua com casas coloridas numa rua coberta com centenas de bandeirinhas para as festas de São João, e na frente do rio.

Almoço saboroso porém pesado, hora de caminhar novamente para queimar as calorias. Assim é que estufamos o peito, carregamos as mochilas e nos pusemos em marcha no sentido da famosa ponte de ferro Dom Pedro II, que liga as cidades de Cachoeira e São Félix. Depois de atravessá-la, conhecemos a produção de charutos da Dannemann, onde também adquirimos alguns exemplares. Na seqüência, subimos a rua que nos levou até a Fazenda Santa Bárbara, situada no alto de um morro, lugar onde Hansen Bahia morou nos seus últimos anos de vida e onde se pode conhecer uma grande parte do seu acervo, assim como o seu ateliê. Já passava das 17:00h quando descemos o morro, cruzamos a ponte com um fantástico por-do-sol e retornamos para Cachoeira. Descanso rápido, banho e saímos para jantar e degustar os charutos adquiridos no dia.

No sábado, dia 17/06, fomos conhecer o Centro Cultural da Irmandade da Boa Morte, expoente do sincretismo religioso que é tão característico da região. Lá fomos recebidos com muito carinho e atenção pela Jordânia, que depois da palestra ainda nos acompanhou, deu explicações adicionais e vendeu itens comercializados no lugar. Depois fomos para conhecer a feira da cidade, de grandes proporções, e também a igreja do Rosário dos Pretos, localizada no alto de um morro de onde se avista toda a região.

Resolvemos deixar para almoçar no distrito de Coqueiros, município de Maragogipe, distante cerca de 17Km do centro de Cachoeira. Lá, na foz do rio e debaixo de uma chuva torrencial, apreciamos os frutos do mar preparados no quiosque do Renato, depois de fazer contato com um babalorixá e uma senhora que "retirava os umbigos dos mariscos". Depois do almoço saímos à procura da Dona Cadu, famosa ceramista da região. Ainda debaixo de muita chuva, conseguimos encontrá-la em casa e teve início aí um animado encontro que deixou marcas profundas em todos nós. Ceramista ativa, comerciante e puxadora de samba de roda nas horas vagas, a Dona Cadu é a simpatia em pessoa, conversa sobre todos os assuntos e explica com riqueza de detalhes o seu processo produtivo, como é o caso dos fornos que são construídos nas margens do rio Paraguaçu. Com 97 anos, bem-humorada e soltando gargalhadas constantes, a Dona Cadu é detentora de um carisma e de um vigor físico e mental que nos deixou a todos impressionados.

A chuva seguia forte e já começava a escurecer quando voltamos aos carros para buscar o abrigo da pousada em Cachoeira. Novamente, banho e descanso rápido e saída para jantar. No dia seguinte, acordamos planejando pegar a estrada cedo. Mas os encantos de Cachoeira nos fizeram seguir devagar, parando para fotografar em cada esquina, sempre descobrindo coisas para as quais não havíamos atentado antes. Além disso, ainda paramos para comprar licor, tomar caldo na feira, comprar queijo e amendoim. Já passava bastante das 9:00h quando finalmente nos pusemos em marcha de volta para casa, em outra viagem longa porém animada através das conversas de rádio frequentes entre os dois carros. 

terça-feira, 6 de junho de 2017

Gerações entre bandeiras

O tema é recorrente mas a o encantamento é sempre renovado. Aqui temos, mais vez, imagens de um evento típico do sertão nordestino: a missa em homenagem a um vaqueiro falecido (Sebastião Dué, há cinco anos), amigos e parentes reunidos, café da manhã, desfile e almoço para todos os presentes.

Dos traços do vaqueiro aos seus utensílios, os seus animais e às suas vestes, aqui temos um panorama completo do que significa ser vaqueiro no sertão. Aqui encontramos vaqueiros idosos, experientes, e outros que ainda estão sendo treinados para o ofício. Homens e mulhers que compartilham da mesma paixão do homenageado. Um grande privilégio para o nosso grupo compartilhar estes momentos e poder registrar estas imagens, que esperamos sejam do agrado de todos. Para visualizar as imagens desta seleção, é só clicar aqui.

domingo, 21 de maio de 2017

Convocação para a 70ª Jornada Fotográfica - Cachoeira e São Félix


A Jornada de Junho tem como destino as cidades baianas de Cachoeira e São Félix, situadas nas margens do rio Paraguaçu no Recôncavo Baiano.

Ela acontecerá entre os dias 15 e 18 de Junho e a programação ainda não foi feita. O lugar, no entanto, é conhecido pelas suas belezas naturais, pela magnífica arquitetura e pela história ligada ao período da escravidão. Visitaremos museus, fotografaremos a cidade e iremos aproveitar ao máximo tudo que estas duas cidades históricas proporcionam.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Homenageando Sebastião Dué


Sebastião Dué era um vaqueiro muito conhecido e querido no Sítio Porteiras. Por isso, desde o seu falecimento, todos os anos é realizada uma missa em sua homenagem no povoado localizado na zona rural de Petrolina. Esta, que aconteceu no último dia 14 de maio, foi a quinta edição do evento e também palco da nossa 69ª Jornada Fotográfica.

Saímos da praça do Centenáro em Petrolina um pouco depois das 7:00h e fomos em dois carros até o local da concentração, onde chegamos por volta das 8:00h. Começamos a clicar enquanto os vaqueiros e as pessoas da comunidade ainda estavam se reunindo. Passava das 9:00h quando uma grande caravana foi montada com destino ao local onde seria servido o café da manhã. Nosso grupo, composto por 8 jornadeiros, seguiu na frente, na caçamba de uma caminhonete de onde podíamos ver toda a extensão do grande grupo e conseguir os melhores ângulos para as nossas fotos.

Depois do café, a caravana prosseguiu em desfile aberto por um trecho ainda maior. Ao lado de aboiadores que entoavam os seus cantos transmitidos em carros de som, fomos nos equilibrando onde podíamos, procurando ficar imunes às irregularidades do terreno e atentos à todas as oportunidades de boas imagens.

Encerrada a caravana, e de volta ao local de onde partimos, cobertos de poeira e castigados pelo sol, teve início a tradicional Missa do Vaqueiro, desta vez em Homenagem à Sebastião Dué. Cumpridos os rituais religiosos e de benção dos acessórios dos vaqueiros, almoçamos e retornamos para casa, onde chegamos por volta das 13:30h.

Deixamos aqui registrado o nosso agradecimento aos responsáveis pela organização do evento, em particular ao Wellington (Pedra Linda), que gentilmente nos recebeu no dia e criou todas as condições para que tivéssemos o maior conforto possível para a realização do nosso trabalho. Registro também a participação, pela primeira vez, da jornadeira Milene Torquato. Sejam sempre bem-vinda, Milene!


terça-feira, 9 de maio de 2017

Exuberância

Exuberância por toda parte, beleza infinita em cada clique. As fotos da 68ª Jornada, realizada na Serra da Fumaça em Pindobaçu (Bahia), mostram um sertão diametralmente oposto daquele que é conhecido pela maioria das pessoas: ele é formado por árvores altas, rios e riachos, matas ciliares, cachoeiras de grande porte, neblina, orvalho, muito verde e paisagens arrebatadoras. E tudo isso a apenas 150Km de Petrolina e Juazeiro.

Confira aqui as imagens feitas entre os dias 21 e 23 de abril deste ano, e descubra (ou reviva) mais este tesouro escondido no meio do sertão baiano. São 134 fotografias feitas por 8 dos 11 jornadeiros que se aventuraram por lá neste período e tiveram material de sobra - e muito bem aproveitado, diga-se de passagem - para mostrar o seu talento. Estão todos de parabéns pela disposição, persistência e capricho com que escreveram mais este capítulo da nossa história!