domingo, 21 de maio de 2017

Convocação para a 70ª Jornada Fotográfica - Cachoeira e São Félix


A Jornada de Junho tem como destino as cidades baianas de Cachoeira e São Félix, situadas nas margens do rio Paraguaçu no Recôncavo Baiano.

Ela acontecerá entre os dias 15 e 18 de Junho e a programação ainda não foi feita. O lugar, no entanto, é conhecido pelas suas belezas naturais, pela magnífica arquitetura e pela história ligada ao período da escravidão. Visitaremos museus, fotografaremos a cidade e iremos aproveitar ao máximo tudo que estas duas cidades históricas proporcionam.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Homenageando Sebastião Dué


Sebastião Dué era um vaqueiro muito conhecido e querido no Sítio Porteiras. Por isso, desde o seu falecimento, todos os anos é realizada uma missa em sua homenagem no povoado localizado na zona rural de Petrolina. Esta, que aconteceu no último dia 14 de maio, foi a quinta edição do evento e também palco da nossa 69ª Jornada Fotográfica.

Saímos da praça do Centenáro em Petrolina um pouco depois das 7:00h e fomos em dois carros até o local da concentração, onde chegamos por volta das 8:00h. Começamos a clicar enquanto os vaqueiros e as pessoas da comunidade ainda estavam se reunindo. Passava das 9:00h quando uma grande caravana foi montada com destino ao local onde seria servido o café da manhã. Nosso grupo, composto por 8 jornadeiros, seguiu na frente, na caçamba de uma caminhonete de onde podíamos ver toda a extensão do grande grupo e conseguir os melhores ângulos para as nossas fotos.

Depois do café, a caravana prosseguiu em desfile aberto por um trecho ainda maior. Ao lado de aboiadores que entoavam os seus cantos transmitidos em carros de som, fomos nos equilibrando onde podíamos, procurando ficar imunes às irregularidades do terreno e atentos à todas as oportunidades de boas imagens.

Encerrada a caravana, e de volta ao local de onde partimos, cobertos de poeira e castigados pelo sol, teve início a tradicional Missa do Vaqueiro, desta vez em Homenagem à Sebastião Dué. Cumpridos os rituais religiosos e de benção dos acessórios dos vaqueiros, almoçamos e retornamos para casa, onde chegamos por volta das 13:30h.

Deixamos aqui registrado o nosso agradecimento aos responsáveis pela organização do evento, em particular ao Wellington (Pedra Linda), que gentilmente nos recebeu no dia e criou todas as condições para que tivéssemos o maior conforto possível para a realização do nosso trabalho. Registro também a participação, pela primeira vez, da jornadeira Milene Torquato. Sejam sempre bem-vinda, Milene!


terça-feira, 9 de maio de 2017

Exuberância

Exuberância por toda parte, beleza infinita em cada clique. As fotos da 68ª Jornada, realizada na Serra da Fumaça em Pindobaçu (Bahia), mostram um sertão diametralmente oposto daquele que é conhecido pela maioria das pessoas: ele é formado por árvores altas, rios e riachos, matas ciliares, cachoeiras de grande porte, neblina, orvalho, muito verde e paisagens arrebatadoras. E tudo isso a apenas 150Km de Petrolina e Juazeiro.

Confira aqui as imagens feitas entre os dias 21 e 23 de abril deste ano, e descubra (ou reviva) mais este tesouro escondido no meio do sertão baiano. São 134 fotografias feitas por 8 dos 11 jornadeiros que se aventuraram por lá neste período e tiveram material de sobra - e muito bem aproveitado, diga-se de passagem - para mostrar o seu talento. Estão todos de parabéns pela disposição, persistência e capricho com que escreveram mais este capítulo da nossa história!

domingo, 7 de maio de 2017

Convocação para a 69ª Jornada Fotográfica - Missa do Vaqueiro no Sítio Porteiras


A Jornada deste mês será realizada na zona rural de Petrolina, durante a 5ª Missa do Vaqueiro no Sítio Porteiras. Trata-se de um evento de grandes proporções que acontece anualmente em homenagem ao falecido vaqueiro Sebastião Dué. O evento compreende café da manhã para os vaqueiros, desfile em carro aberto pela região, a missa propriamente dita, almoço e festa durante a tarde. Trata-se, portanto, de uma excelente oportunidade para, mais uma vez, nos debruçarmos sobre a cultura e as tradições regionais com os nossos olhos e os nossos equipamentos.

Nós sairemos da praça do Centenário, situada ao lado da igreja Matriz, no centro de Petrolina, às 7:00h da manhã do domingo (dia 14/04) e iremos com os nossos próprios carros até o local. Assim, é importante sabermos com quantos carros poderemos contar a fim de poder acomodar todos os inscritos. A ideia é chegar no sítio às 7:30h da manhã, a fim de participarmos do café juntamente com os vaqueiros. O retorno está previsto para acontecer às 16:00h. Quem quiser ir mais tarde ou retornar mais cedo poderá fazê-lo também, visto que o evento coincide com o Dia das Mães, mas deverá fazê-lo com o seu próprio transporte.

Não haverá custos para esta Jornada (o café e o almoço foram generosamente oferecidos pela organização para o nosso grupo). A inscrição prévia é necessária apenas para fazermos a contagem dos carros e a distribuição das pessoas nos mesmos. Desde já, o meu está à disposição com quatro lugares vagos.

Para mais informações, fotos e mapa com a localização, clique aqui.

domingo, 30 de abril de 2017

Onze jornadeiros, cinco guias e um jeguinho


Foi uma Jornada histórica. Não foi a primeira vez que acampamos, mas foi o acampamento mais radical que já fizemos. Não foi a primeira vez que fizemos trilhas difíceis, mas esta foi a mais difícil de todas. Não foi a primeira vez que visitamos cachoeiras, mas estas foram as mais belas que já conhecemos. Não foi a primeira vez que caminhamos natureza adentro, mas esta foi uma das mais caminhadas mais inspiradoras que já fizemos. Finalmente, não foi a primeira vez que tivemos experiências intensas, mas esta certamente foi a mais intensa de todas.

Tudo começou por volta das 10:30h da manhã do dia 21, quando embarcamos no micro-ônibus alugado em direção à Pindobaçu. Chegamos lá por volta do meio-dia, almoçamos em um restaurante de beira de estrada e depois retornamos alguns quilômetros até o acesso ao povoado de Lutanda. Lá, descarregamos a nossa pesada bagagem em frente à pequena igreja e aguardamos pelo jegue que iria levar tudo - ou pelo menos grande parte - morro acima. Não foi bem assim que as coisas aconteceram, e resultado é que muitos de nós tivemos que castigar o próprio lombo numa subida prá lá de difícil e cansativa. Iniciamos a caminhada, animados, por volta das 15:20h, em meio à uma paisagem formada por campos verdes e grandes árvores. Atravessamos o rio Fumaça, abastecemos os cantis com água potável e seguimos até mais ou menos a metade do percurso, onde paramos para descansar, fazer um lanche e beber água. O caminho até ali era plano, então o cansaço era só por conta do peso que carregávamos mesmo.

A partir desde ponto, no entanto, as coisas mudaram completamente de figura. Tivemos que vencer uma subida de 380 metros em apenas 2,5Km, em uma trilha forrada de pedras soltas e muito peso nas costas. Ao mesmo tempo, seguíamos por uma trilha belíssima, que margeava desfiladeiros que nos abriam a vista para o horizonte. Não tardou, no entanto, para a noite chegar e a caminhada prosseguir com as lanternas (que todos tiveram a preocupação de adquirir previamente) acesas. Na parada seguinte (do riacho), já de noite, precisamos nos alongar pois o jornadeiro Antonio sentiu forte dores nas pernas e não conseguia se mover. Depois de cerca de uma hora na expectativa, resolvemos dividir o grupo: uma parte continuaria a subida e a parte outra ficaria com o Antonio até ele melhorar. E assim foi: enfrentamos uma subida miserável, juntando todos os fôlegos para dar cada passo e tentar chegar no paraíso. Ajuda daqui, ajuda dali, tombo prá cá, tombo pra lá, puxa, empurra e conseguimos alcançar o topo da Serra da Fumaça por volta das 21:00h. No meio da escuridão, era a hora de montar barracas, comer alguma coisa e... tomar banho de água geladíssima do riacho próximo. O outro grupo subiu mais lentamente e chegou no topo por volta da meia-noite, mas felizmente são-e-salvo e sem maiores problemas. Nesse meio tempo, a comunicação via rádio era utilizada para atualizar as notícias dos dois lados.

 A primeira noite foi praticamente um colapso geral, em função do cansaço do grupo. No dia seguinte, acordamos cedo em meio à neblina densa, tomamos café e saímos em caminhada por alguns quilômetros, também entre declives e aclives consideráveis, para conhecer mirantes, quedas d'água e as cachoeiras das Sete Quedas e da Fumaça. Visitamos lugares fantásticos, tomamos banhos de cachoeira incríveis e não nos cansamos de admirar tanta beleza de rios, riachos, matas,  quedas, vales e desfiladeiros. Foi um dia intenso, mas dessa vez chegamos cedo em casa: ainda era dia (por volta das 17:00h) quando regressamos ao acampamento. Hora, então, de sair correndo para o banho no riacho, que prometia ser melhor à luz do dia do que na escuridão da noite como no dia anterior. Logo em seguida, hora de acender a fogueira e os fogareiros, preparar o merecido jantar e levar aquele papo animado até de madrugada. Tudo isso, naturalmente, intercalado com muitas fotografias noturnas do lugar.

 Terceiro dia, domingo de manhã, dia de desmontar tudo, carregar o jegue novamente e iniciar a descida. Foi uma operação longa, e quase que as coisas não cabiam mais nas cestas do pobre jeguinho. Resolvidas estas questões, nos equipamos para a descida, não sem antes fazer uma parada na extremidade do topo onde estão localizadas uma pequena igreja e um cruzeiro. Depois, foi só ladeira abaixo: muito cuidado para não escorregar, muito cuidado com o excesso de peso, muito cuidado com os colegas da frente e assim por diante. Apesar de tudo, foi um caminho de volta mais tranquilo do que o de ida. Mesmo assim, fizemos uma parada estratégica no mesmo riacho da subida, porém desta vez durante o dia. Então, pudemos nos banhar nas suas águas, relaxar nas suas grandes rochas, descansar nas suas sombras, jogar conversa fora, encher os cantis e repor as energias antes de seguir em frente. E assim foi... uma caminhada longa, debaixo do sol forte e com algumas outras paradas para cuidar dos machucados, beber água e descansar. Eram por volta de 15:40h quando finalmente avistamos o nosso micro-ônibus nos esperando no final da trilha, como quem vê um pequeno oásis depois de uma longa caminhada no deserto. Bagagens colocadas no bagageiro, não havia outro lugar para se ir a não ser o pequeno bar da vila, que viu o seu estoque de cervejas geladas se esgotar rapidamente.

 Deixamos a vila por volta das 17:00h e fizemos uma única parada num posto de gasolina em Senhor do Bonfim para fazer um lanche. Todos destruídos, estropiados, descalços, imundos dos pés à cabeça. Como disse alguém, parecíamos um grupo de borracheiros depois de um dia de muito trabalho. No restante do caminho dormimos e só despertamos quando chegamos em Petrolina, por volta das 19:00h. Uma vez em casa, a noite foi para curtir os pequenos prazeres da vida cotidiana: tomar um banho quente e matar saudades da cama macia. Coisas que, ao que tudo indica, continuaram sendo muito apreciadas pelos dias seguintes também.

 Mais um capítulo foi escrito, e que capítulo. Foram três dias de uma convivência super animada e de muita solidariedade. Uma experiência inesquecível num lugar mágico. Foram momentos que ficarão marcados para sempre na vida de todos os participantes, não só pelas dificuldades enfrentadas mas, também, e principalmente, pelas recompensas colhidas. Foi um privilégio participar desta Jornada e desfrutar do convívio de cada um dos guias e amigos jornadeiros.

 Aos nossos guias Moreira Júnior, Yuri Jeanmonod, Leiliane Coelho, Marcos Santiago e Igor, não temos palavras para expressar a nossa gratidão e o nosso reconhecimento pela forma extremamente segura, zelosa e carinhosa como vocês conduziram o nosso grupo e nos orientaram em todos os momentos. Sem vocês nada disso teria sido possível. Ao Antonio, os parabéns pela grande força de vontade e pelo imenso esforço dispendido, os quais permitiram que ele se mantivesse com o grupo apesar das dificuldades enfrentadas. E deixamos aqui também registrado o nosso agradecimento ao nosso jeguinho, outro grande herói desta Jornada, que nos poupou de muita carga e facilitou de maneira considerável a nossa vida, tanto na subida quanto da descida.

sábado, 15 de abril de 2017

Do Quebra Facão ao Alto Bonito


Do Quebra Facão ao Alto Bonito, povoados do distrito de Tijuaçu, aqui você vai poder conferir a produção da turma de fotógrafos que invadiu estes lugares no último dia 19 de março durante a realização da 67ª Jornada Fotográfica. São retratos belíssimos, de crianças, adultos e idosos, além de cenas de um povoado e de uma cultura que se esforçam para preservar a sua história e tem orgulho de compartilhá-la com visitantes como nós. Bom proveito para todos!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Uma lata e muita história


Os primeiros jornadeiros começaram a chegar juntamente com os primeiros raios de sol. Eram 6:00h da manhã e o grupo se formava na praça do Centenário, centro de Petrolina. Nosso micro-ônibus partiu, com 25 pessoas, pouco depois das 6:30h. Fizemos uma curta parada num posto de gasolina no caminho e chegamos em Tijuaçu às 9:15h. Lá, fomos logo identificados e recebidos pelo Valmir, o líder da comunidade quilombola que nos acompanhou durante todo o dia.

Nem entramos na área urbana da comunidade e já seguimos direto para a comunidade vizinha de Quebra Facão, onde conhecemos um pouco da história da região (contada pelo Valmir), uma casa de farinha (em plena operação no domingo!) e um terreiro de umbanda. Depois de uma caminhada pela vila, seguimos para uma outra comunidade, a do Alto Bonito. Lá, conversamos com moradoras antigas (com mais de 50 anos no lugar) e ouvimos as suas histórias também. Em todo o percurso, muitas retratos bacanas de moradores idosos e de crianças lindas.

Finalmente, entramos em Tijuaçu e fomos logo conhecer as duas famosas "barrigudas", árvores centenárias que remetem e fazem parte da história dos quilombos que ali surgiram de forma pioneira no interior da Bahia. Após aprendermos um pouco mais com as explicações do Valmir à sombra das árvores, nos dirigimos a pé para o centro cultural do local onde, depois de novas explicações sobre a origem, as características e a importância do Samba de Lata, finalmente puder assistir à tão esperada apresentação de dança e música.

Ainda contaminados pela energia exalada pela mesma, fizemos fotos com a percussionista (da lata) e as dançarinas. Já passava das 13:00h quando nos dirigimos, então, ao restaurante de uma das integrantes do grupo para apreciar a comida simples e saborosa num ambiente de muita alegria, confraternização e ótimo atendimento.

Entre 14:00 e 15:30h, depois do almoço, alguns aproveitaram para colocar a conversa em dia na sombra, enquanto outros resolveram explorar um pouco mais da vila com novas imagens, debaixo do sol forte. Por volta das 16:00h entramos no micro-ônibus e tomamos o rumo do nosso ponto de partida, com uma única parada em Flamengo para comprar umbu e umbu-cajá. O cansaço, por causa do pouco do sono e do sol, finalmente tomou conta de grupo e o sono reinou no restante da viagem. Chegamos tranquilos e felizes um pouco antes das 19:00h. Fizemos ótimas fotos, conhecemos uma história bonita, descobrimos uma manifestação cultural muito interessante e conhecemos e convivemos com pessoas maravilhosas em todos os pontos por onde passamos.

Deixamos registrado aqui os nossos profundos e especiais agradecimentos ao Valmir, pela disponibilidade e carinho com que recebeu o nosso grupo em Tijuaçu. Deixamos, também, o nosso reconhecimento e o nosso agradecimento para todos os moradores, sejam eles crianças, adultos ou idosos, com os quais tivemos a oportunidade de interagir, ainda que rapidamente. Todos eles se mostraram extremamente simpáticos, gentis e solícitos, e por isso ganharam rapidamente a nossa admiração. Esperamos ter a chance de voltar em breve para matar as saudades que já são consenso entre os participantes da Jornada.